Não se trata apenas de mais um filme sobre a capital francesa. Para entender a declaração de amor que Woody Allen faz à Cidade Luz, é preciso mergulhar no espírito non-sense.
Na comédia romântica estrelada por Owen Wilson, Rachel McAdams e Marion Cottilard, Gil, um roteirista hollywoodiano em visita a Paris com a noiva e os sogros, se encontra em uma espécie de fuga da obviedade dos roteiros descartáveis do cinema. Em busca de inspiração para seu primeiro romance, ele embarca no espírito nostálgico da Paris Boêmia dos anos de 1920, a mesma que abrigou nomes como Gertrude Stein, Hemingway, Zelda e F. Scott Fitzgerald, Picasso, Matisse, Modigliani e Braque.
E nesse vaivém no tempo, sob os acordes adoráveis da guitarra acústica de Stephane Wrembel, explodem na tela cartões postais parisienses, que enchem de saudade quem ama a capital francesa. Lá estão a Galeria dos Espelhos do Châteaux de Versailles, os jardins de Monet em Giverny, o mercado de pulgas de Paul Bert, o Museu Rodin, o Maxim's, a Ponte Alexandre III, a livraria Shakespeare & Co e os restaurantes Aux Lyonnais, Le Grand Véfour e Lapérouse. O destaque: a rua onde Gil vai sempre à meia-noite é a Montagne St. Genevieve, no 5 arrondissement.
É como se o diretor lançasse um olhar surrealista e apaixonado sobre Paris, deixando uma mensagem nobre: o melhor tempo é agora, com a pessoa certa.